
Chegou o dia mais indesejável do ano: o de abrir as pernas, introduzir aquele instrumento gelado e grosso no lugar mais escuro do meu corpo. Que mulher pode querer passar por isso? No meu caso, a experiência estava marcada para as três da tarde, e o que é pior, com um desconhecido.
Mudei de convênio médico há poucos meses, e era a primeira vez que passaria com um tal ginecologista chamado Drº Mário. Uma amiga me disse que ele era um amor, super atencioso. E eu lá queria isso de um ginecologista. Na verdade, eu nem queria olhar para a cara de um. Gostaria que as consultas fossem via telefone, correio, internet, sei lá, telepatia. Imaginem que engraçado: “tecle 1 para corrimento de cor desconhecida. Dois para coceira de origem desconhecida. Três para exames de rotina. Quatro para assuntos mais íntimos, ou, aguarde para ser atendida.”
Depois de chegar ao consultório com uma hora de antecedência para conhecer o território e me preparar psicologicamente, estava lendo a sétima revista. A da vez tratava-se de cremes e pomadas para a parte íntima da mulher, aquelas edições que os médicos recebem e jogam na mesinha para os pacientes lerem e não entender “bulhufas”.
Vocês sabiam que existe até pomada para evitar o crescimento em excesso dos pêlos pubianos?
Melhor não acreditarem, pois na verdade não passa de fruto da imaginação de uma mulher desesperada, que foi se depilar pela manhã e ficou toda empipocada depois de arrancar tufos e tufos de um detestável presente genético. Acho que o médico que acaba de abrir a porta entenderá a minha alergia à cera quente.
Abaixei lentamente a revista para ver a cara do meu “carrasco” e fiz uma descoberta que me estarreceu mais do que qualquer existência de pomada para redução de pêlos pubianos (caso elas existissem, é claro). O Drº Mário era na verdade o Marinho, colega meu das quadras de tênis.
Ai meu Deus, e agora? Enquanto bebia água, pensava no que poderia ser pior do que aquela situação desagradável. O Mário, que da minha intimidade, até então, só conhecia o revelado pela minha saia pregueada, iria me ver agora quase como vim ao mundo, se não fosse pelo detalhe de que atualmente tenho peitos grandes e estrias no bumbum. Foi então que o mais óbvio me veio à cabeça: vou embora já.
Quando me virei pronta para jogar aquela consulta para os ares, dei de cara com o Marinho.
- Sabia que conhecia este nome quando li no prontuário.
- Marinho? Nossa, não sabia que o médico era você. Que coincidência, não? Como você está?
- Bem, e você? Aguarde só mais uns minutinhos que eu já te chamo.
Nunca mais apareceria no clube. E a Glória, mulher dele, o que ia pensar de mim? E quando fôssemos trocar bola? Só lembraria que ele já me viu sem calcinha e conhecia os segredos mais obscuros de ... vocês sabem onde.
“Andrea!”
Ai, sou eu. Resolvi abrir o jogo e manter minhas pernas bem fechadas naquela tarde. Expliquei que não me sentia bem com a situação e ele entendeu. Até me deu um cartão de uma colega dele.
Hummm, deixa eu ver... Alex Brandão? Não sei não, mas esse não é o nome do novo namorado da Valéria?
Mudei de convênio médico há poucos meses, e era a primeira vez que passaria com um tal ginecologista chamado Drº Mário. Uma amiga me disse que ele era um amor, super atencioso. E eu lá queria isso de um ginecologista. Na verdade, eu nem queria olhar para a cara de um. Gostaria que as consultas fossem via telefone, correio, internet, sei lá, telepatia. Imaginem que engraçado: “tecle 1 para corrimento de cor desconhecida. Dois para coceira de origem desconhecida. Três para exames de rotina. Quatro para assuntos mais íntimos, ou, aguarde para ser atendida.”
Depois de chegar ao consultório com uma hora de antecedência para conhecer o território e me preparar psicologicamente, estava lendo a sétima revista. A da vez tratava-se de cremes e pomadas para a parte íntima da mulher, aquelas edições que os médicos recebem e jogam na mesinha para os pacientes lerem e não entender “bulhufas”.
Vocês sabiam que existe até pomada para evitar o crescimento em excesso dos pêlos pubianos?
Melhor não acreditarem, pois na verdade não passa de fruto da imaginação de uma mulher desesperada, que foi se depilar pela manhã e ficou toda empipocada depois de arrancar tufos e tufos de um detestável presente genético. Acho que o médico que acaba de abrir a porta entenderá a minha alergia à cera quente.
Abaixei lentamente a revista para ver a cara do meu “carrasco” e fiz uma descoberta que me estarreceu mais do que qualquer existência de pomada para redução de pêlos pubianos (caso elas existissem, é claro). O Drº Mário era na verdade o Marinho, colega meu das quadras de tênis.
Ai meu Deus, e agora? Enquanto bebia água, pensava no que poderia ser pior do que aquela situação desagradável. O Mário, que da minha intimidade, até então, só conhecia o revelado pela minha saia pregueada, iria me ver agora quase como vim ao mundo, se não fosse pelo detalhe de que atualmente tenho peitos grandes e estrias no bumbum. Foi então que o mais óbvio me veio à cabeça: vou embora já.
Quando me virei pronta para jogar aquela consulta para os ares, dei de cara com o Marinho.
- Sabia que conhecia este nome quando li no prontuário.
- Marinho? Nossa, não sabia que o médico era você. Que coincidência, não? Como você está?
- Bem, e você? Aguarde só mais uns minutinhos que eu já te chamo.
Nunca mais apareceria no clube. E a Glória, mulher dele, o que ia pensar de mim? E quando fôssemos trocar bola? Só lembraria que ele já me viu sem calcinha e conhecia os segredos mais obscuros de ... vocês sabem onde.
“Andrea!”
Ai, sou eu. Resolvi abrir o jogo e manter minhas pernas bem fechadas naquela tarde. Expliquei que não me sentia bem com a situação e ele entendeu. Até me deu um cartão de uma colega dele.
Hummm, deixa eu ver... Alex Brandão? Não sei não, mas esse não é o nome do novo namorado da Valéria?



