
Com seus cerca de 40 mil quilômetros de extensão, há quem diga que o nosso planeta é um lugar pequeno. E não poderia ser do contrário, se onde quer que a gente vá acaba tropeçando em um conhecido. Eles estão aos montes por aí, mesmo que você não seja alguém muito popular.
Outro dia mesmo a minha irmã estava no trânsito virando um saquinho de batatas fritas na boca - sabe quando ficam aqueles farelinhos deliciosos no final do pacote? – quando no auge da queda das migalhas por toda cara e cabelo, ela olha para o lado e se depara com o cara mais lindo do prédio onde trabalha (aquele para quem ela se arruma todos os dias e torce para encontrar no elevador) olhando para aquela cena lamentável, que justifica com total literalidade porque a gula é um pecado capital.
Isso somente comprova outra teoria dos acasos do dia-a-dia: os conhecidos não só nos perseguem e tem como lugar preferido aquele para o qual recorremos quando queremos ficar sozinhos, como também nos encontram nas horas mais inoportunas.
Comigo não é diferente. Encontro com pessoas conhecidas o tempo todo. A exceção no meu caso é que não me lembro de conhecê-las. Acho que sofro de uma espécie de mal de Alzheimer precoce. Não que algum médico tenha confirmado tal diagnóstico, mas é que a semelhança é tamanha que até me fez criar um tipo de “automedicação”. Um manual para driblar as freqüente gafes do esquecimento. Até outro dia, ele funcionava muito bem...
Enfim estava de férias da faculdade, depois de cursar o primeiro semestre de Administração. Tudo o que eu queria era praia, correr no calçadão e tomar água de coco, e com certeza, não encontrar ninguém acenando para mim como se me conhecesse. Pois lá estava ela. Uma garota - que não me era estranha, mas também não fazia idéia de onde tinha saído - sorria e chamava meu nome aos berros do outro lado da rua.
Seguindo a regra número 1 do meu manual, sorri para ela e fingi conhecê-la e estar com muitas saudades (afinal, se não me lembrava dela é porque fazia muito tempo que não a via). O segundo passo foi fazer elogios sobre o cabelo, forma física, roupa, ou qualquer outra coisa que não me fizesse entrar em assuntos mais pessoais (nessa etapa, tive de ser um pouco falsa, mas faz parte da metodologia). Depois comecei a falar de mim, da minha família e namorado. Sendo esse um campo conhecido por mim, não tinha como errar na conversa, e se ela realmente me conhecia, no mínimo, deveria querer saber como andava a minha vida.
E para fechar aquele bate-papo forçado, usei a pergunta chave do meu manual de instruções: Mas e ai, o que você tem feito da vida? Era perfeita. Eu estava sendo educada por me interessar por alguém que provavelmente há tempos não via, e depois poderia encerrar a conversa e continuar com minhas férias em paz (pelo menos até encontrar outra cara conhecida).
Entretanto, o que aconteceu foi que comecei a entender melhor porque as indústrias farmacêuticas fazem testes antes de colocar em circulação seus medicamentos. Meu manual continha falhas, e falhas fatais.
Quando perguntei aquilo, obtive a infeliz resposta:
-“Como assim o que ando fazendo? Eu estudo na sua sala da faculdade e nos vimos ainda esta semana.”
Em vez de eu começar a chorar e inventar qualquer história semelhante a: “desculpa, mas sabe aquele filme ‘Como se fosse a primeira vez’? Então, foi inspirado na minha vida”, ou, “tenho uma falta de um tipo de vitamina que me faz esquecer a fisionomia de pessoas com cabelos castanhos”, acabei não dizendo nada, virando as costas e saindo como se coisa alguma tivesse acontecido.
Não sei se ela nunca mais falou comigo pelo o esquecimento ou pelo descaso de não ter dado sequer uma explicação. A parte boa dessa história é que, pelo menos, o rosto de uma pessoa minha memória nunca mais se esquecerá.
Outro dia mesmo a minha irmã estava no trânsito virando um saquinho de batatas fritas na boca - sabe quando ficam aqueles farelinhos deliciosos no final do pacote? – quando no auge da queda das migalhas por toda cara e cabelo, ela olha para o lado e se depara com o cara mais lindo do prédio onde trabalha (aquele para quem ela se arruma todos os dias e torce para encontrar no elevador) olhando para aquela cena lamentável, que justifica com total literalidade porque a gula é um pecado capital.
Isso somente comprova outra teoria dos acasos do dia-a-dia: os conhecidos não só nos perseguem e tem como lugar preferido aquele para o qual recorremos quando queremos ficar sozinhos, como também nos encontram nas horas mais inoportunas.
Comigo não é diferente. Encontro com pessoas conhecidas o tempo todo. A exceção no meu caso é que não me lembro de conhecê-las. Acho que sofro de uma espécie de mal de Alzheimer precoce. Não que algum médico tenha confirmado tal diagnóstico, mas é que a semelhança é tamanha que até me fez criar um tipo de “automedicação”. Um manual para driblar as freqüente gafes do esquecimento. Até outro dia, ele funcionava muito bem...
Enfim estava de férias da faculdade, depois de cursar o primeiro semestre de Administração. Tudo o que eu queria era praia, correr no calçadão e tomar água de coco, e com certeza, não encontrar ninguém acenando para mim como se me conhecesse. Pois lá estava ela. Uma garota - que não me era estranha, mas também não fazia idéia de onde tinha saído - sorria e chamava meu nome aos berros do outro lado da rua.
Seguindo a regra número 1 do meu manual, sorri para ela e fingi conhecê-la e estar com muitas saudades (afinal, se não me lembrava dela é porque fazia muito tempo que não a via). O segundo passo foi fazer elogios sobre o cabelo, forma física, roupa, ou qualquer outra coisa que não me fizesse entrar em assuntos mais pessoais (nessa etapa, tive de ser um pouco falsa, mas faz parte da metodologia). Depois comecei a falar de mim, da minha família e namorado. Sendo esse um campo conhecido por mim, não tinha como errar na conversa, e se ela realmente me conhecia, no mínimo, deveria querer saber como andava a minha vida.
E para fechar aquele bate-papo forçado, usei a pergunta chave do meu manual de instruções: Mas e ai, o que você tem feito da vida? Era perfeita. Eu estava sendo educada por me interessar por alguém que provavelmente há tempos não via, e depois poderia encerrar a conversa e continuar com minhas férias em paz (pelo menos até encontrar outra cara conhecida).
Entretanto, o que aconteceu foi que comecei a entender melhor porque as indústrias farmacêuticas fazem testes antes de colocar em circulação seus medicamentos. Meu manual continha falhas, e falhas fatais.
Quando perguntei aquilo, obtive a infeliz resposta:
-“Como assim o que ando fazendo? Eu estudo na sua sala da faculdade e nos vimos ainda esta semana.”
Em vez de eu começar a chorar e inventar qualquer história semelhante a: “desculpa, mas sabe aquele filme ‘Como se fosse a primeira vez’? Então, foi inspirado na minha vida”, ou, “tenho uma falta de um tipo de vitamina que me faz esquecer a fisionomia de pessoas com cabelos castanhos”, acabei não dizendo nada, virando as costas e saindo como se coisa alguma tivesse acontecido.
Não sei se ela nunca mais falou comigo pelo o esquecimento ou pelo descaso de não ter dado sequer uma explicação. A parte boa dessa história é que, pelo menos, o rosto de uma pessoa minha memória nunca mais se esquecerá.

Um comentário:
Mto bom!
Pânico de Semi-Conhecido!
Quem não tem?
*Aliás, qtas vezes isso nos aconteceu?
Bjos, linda!
Adorei.
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