terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Podólatra




Todo mundo diz ter um pé feio. Na maioria das vezes a afirmação é um exagero, ou até mesmo mentira. No meu caso, a forma mais pura de modéstia. Ele é muito, mas muito feio, quase uma aberração. Só para se ter uma idéia, um dia estava no ponto de ônibus de sandália e peguei um cara olhando de vários ângulos para os meus pés. De todos, ele acabou fazendo uma careta.
Isso até pouco tempo me incomodava. Hoje, não mais. Quer dizer, até outro dia não. Sabe aquele cara que só olha para gente uma vez na vida? Moreno, olhos verdes, tipo Paulo Zulu. Pois bem, nos encontramos num bar, e depois de um bom papo, alguns beijinhos e carícias, decidimos ir para o apartamento dele.
Estava tudo indo muito bem, até ele sussurrar no meu ouvido: “estou louquinho para ver seus pés. Pés me excitam.” Ai meu Deus! Nada poderia ter sido mais broxante para mim. Mudei o tom da voz, comecei a suar frio e a ter dor de cabeça. Mas ele continuou no clima, foi quando soltei a famosa frase “balde de água fria”: “preciso ir ao banheiro.”
Por que justo os pés? Não podia gostar de pernas, peitos, barriga, bumbum, ou, sei lá, cabelos? Mesmo com meus quase trinta e três, até que estava com tudo bem em cima, a não ser por aquelas duas coisinhas cheias de dedos localizadas bem abaixo do meu corpo.
E agora, o que eu faria? Já sei! Mandar ele apagar as luzes? Não, não, não... quando acariciasse meu pé direito, não teria como não sentir o joanete. Falar que estava com frieira, e que o tratamento exige uso integral de meias? Podia até funcionar, se não fosse tão nojento. Pular da janela do décimo andar? Dar no pé e não dar por causa de um pé? (desculpem, não pude evitar o péssimo trocadilho).
Nada disso! Não podia perder tal oportunidade. Mas por via das dúvidas, se algo desse errado, garanti uma imagem dele tirada do meu celular da janela do banheiro. Vai que as amigas não acreditassem depois. Felizmente, a foto não precisou acompanhar uma história mentirosa. A noite foi maravilhosa, graças à genial solução de improvisar um strip- tease, e na hora de tirar os sapatos, dizer que eles faziam parte da fantasia. Acabou colando, pelo menos, temporariamente.
De manhã, acordei sem os sapatos. Sem ele também. Deixou somente um bilhete dizendo que tinha ido trabalhar, e que eu poderia ficar à vontade. Será que era verdade, ou teria fugido horrorizado quando descobriu que a “fantasia” da noite passada não passava de filme de terror?
Quem saberá, ele nunca mais me ligou.

2 comentários:

Unknown disse...

eu tb não ligaria mais....rs

Unknown disse...

ótima dan hehehehe
amei
beijos